Voltinha

   Pessoal roda 26,
   
   Vinte e cinco dias após o "hermano" Xavier Tondo ("hermano" o c...*¹! Se estes gajos são nossos irmãos, então prefiro ser filho único) ter vencido a Volta a Portugal em bicicleta, apraz-me trazer à vossa consideração dois ou três pontos de vista que me parecem relevantes. Só o faço agora para não ferir as mais ferverosas susceptibilidades no respeitante á modalidade ciclismo, pois se o fizesse no ínicio da prova por certo me iriam chamar de desmoralizador e que tudo estava a fazer para que o Cândido Barbosa não ganhasse a "Volta". Por falar em Cândido, quando é que esse filho da p... *² ganha?
   Esta foi 69ª edição da Volta a Portugal, e apesar de poder fazer algumas considerações só acerca do número (e muito se poderia dizer...) vou apenas perguntar uma coisa: Quando é que os gajos vão aprender o caminho? São mesmo precisas 69 voltas para decorar o percurso? É preciso não ter sentido de orientação para ainda andarem por aí a fazer voltinhas. F...*³!, vão logo direitos á meta. Para que é que serviram as 68 edições anteriores?
   E se o nome da prova é "Volta a Portugal", por que raio é que passam por dentro do país? Não deveriam andar mesmo á volta? Fazendo jus ao nome, o percurso deveria passar por Espanha e pelo Oceano Atlântico. Nos meus tempos de adolescência em que morava com os meus pais, era normal eles perguntarem-me Onde vais? quando eu ía sair de casa. A resposta era quase sempre a mesma, Vou dar uma volta!. E, não por coincidência, era também esta a resposta que os deixava mais sossegados. Porquê?, perguntam vocês. Precisamente porque eles sabem que quando se começa uma volta acaba-se no mesmo sítio, ou seja, eu começava a volta em casa e acabava a essa mesma volta em casa. Simples. É esse o conceito de volta. Ouvem o sinal de partida, pedalam um bocadinho até ficarem brancos com os colhões atrofiados nos bancos (in "Morte aos ciquelistas", Comme Restus), e TCHARAM!, voltam ao mesmo local. Pelo andar do carro-vassoura, a prova deveria-se chamar "Perdidos ás voltinhas em Portugal" até porque esta gente parece-me meio desorientada.
   Finalizada a crítica passo agora para uma postura mais pró-activa, porque não é só criticando que as coisas andam para a frente, mas também oferecendo algumas sugestões. A denominada Volta A Portugal é sem dúvida uma prova espectacular e apreciada, no entanto, está a perder alguma emoção e visibilidade. O espectador, o que se desloca para ver passar o pelotão ou aquele que prefere ficar em casa a acompanhar tudo pela televisão, quer mais. Quer mais agitação, quer mais novidade, quer mais emoção, quer mais rapidez, quer mais alegria, quer mais inovação, etc... E é exactamente neste conjunto de pontos que eu quero focar a minha atenção e sugerir algumas ideias.
  
   Ideia Primeira;
   Provas realizadas durante a noite. Além de oferecer imprevisibilidade em cada curva feita, evita-se também o sempre estúpido semi-bronzeado nas pernas dos atletas.
  
   Ideia Segunda;
   Provas realizadas durante o Inverno. Mais espectadores podem assistir, por estes não se encontrarem de férias, e a possibilidade de chuva seria mais alta podendo surgir quedas de ciclistas cheias de espectaculariedade.
  
   Ideia Terceira;
   Provas sempre a descer. Em vez da subida á torre temos a descida da torre, ou seja, confere-se mais rapidez á etapa.
  
   Ideia Quarta;
   Provas sem capacete. Os ciclistas são obrigados a não usar capacete. O espectador pode apreciar diversos tipos de penteados (quiçá não surge o penteado á Candido Barbosa, como aconteceu em outros casos de sucesso, nomeadamente o David Beckham e o Paulo Bento) e tirar ideias para um novo visual. Como em outras modalidades, haverá lugar para a moda, podendo os atletas usar gel no cabelo, cabelos pintados, penteados á moicano, fitas no cabelo a segurar cabelos compridos, etc... Com a individualização e diferenciação vêm contratos de publicidade para os atletas.
  
   Ideia Quinta;
   Tradição e caracterição da prova. Passo a explicar: da mesma maneira que aparece, todos os anos, aquele indivíduo vestido de diabo durante a subida aos alpes na Volta a França, nós utilizamos um burro mirandês na descida da torre. Se já é uma alegria ver o diabo na Volta a França, seria agora uma alegria ver um burro mirandês a acompanhar os atletas na Volta a Portugal.
  
   É esta a minha visão da Volta a Portugal, ciclistas sem capacete pedalando a toda a velocidade encosta abaixo embrenhados no breu da noite enquanto cai uma leve chuva "molha-tolos". E o burro meu deus! O burro! A alegria da prova.
  
   Aquele que sempre usa selim na bicicleta,
   Bri.

P.S.: Quando eu falo em burro mirandês refiro-me únicamente ao animal burro característico de Miranda do Douro. Nunca foi minha intenção fazer passar a ideia de que o habitante de Miranda do Douro é burro, até porque respeito muito homens que usam um chapéu com fitinhas, saias até aos pés e gostam de andar com paus na mão enquanto dançam aos saltinhos.
A ordem das ideias apresentadas não atribui qualquer tipo de importância de umas sobre outras. A ordem apresentada foi definida através do científico processo de tirar um papelinho, com uma ideia, de dentro de um saco preto.
*¹ - Caralho
*² - Puta
*³ - Fodasse
publicado por Señor B às 01:39