Feliz Páscoa

   Há mil novecentos e setenta e quatro anos atrás existia um homem muito bonzinho que andava de sandálias o dia todo e vivia numa aldeia chamada Páscoa. Passava todo o santo dia de vestidos brancos, com 12 amigos homens, e não tinha namorada. Não sabia ler nem escrever, mas tinha o dom da palavra. Apareceram uns homens maus, que não gostaram do estilo alternativo do nosso amiguinho, e crucificaram-o numa cruz muito alta. Ali ficou até morrer. Como a cruz era muito alta e os escadotes estavam muito caros, niguém conseguiu tira-lo de lá. Até que apareceu um coelhinho que andava a correr pela pradaria (devia ser da "pastilha"), saltou muito alto e conseguiu tirar o rapaz da cruz. Com apenas um salto, desatou os nós de corda que o prendiam nos braços e nas pernas, e ainda lhe arrancou os pregos das mãos e pés. De seguida, arrastou o jovem barbudo pelo chão, contornando a placa "NÃO PISE A RELVA", para debaixo de uma laranjeira e encostou-o ao tronco desta. Neste exacto momento ia a passar uma prostituta com os bolsos cheios de ovos de chocolate. O coelhinho pediu á generosa senhora que lhe cedesse um ou dois ovos de chocolate. Ela acedeu e foi-se logo embora porque era apenas uma figurante desta estória.  Durante três dias o coelhinho tratou do rapazinho e foi pondo-lhe ovos de chocolate na boca. Ao terceiro dia, o rapaz acordou. Abriu os olhos e viu o coelhinho á sua frente. O coelhinho perguntou-lhe:

- Como te chamas? - perguntou o coelho com os olhos esbugalhados.

- Jesus Cristo, mas os meu amigos tratam-me por Senhor. Tu podes tratar-me por Alecrim. Sempre me quis chamar Alecrim ou Bernardo. Hoje podes chamar-me por Alecrim.

- Senhor Alecrim...

- Não, só Alecrim.

- Alecrim, quando é que nasceste?

- Dia 25 de Dezembro, há 33 anos atrás.

- O que aconteceu contigo para estares na cruz, que nem sequer era de madeira tratada e envernizada?

- Falei de mais e corri de menos.

- E quando morreste? - perguntou o coelhinho curioso.

- Na sexta-feira.

- Mas Alecrim... em que dia do mês?

- Não interessa! - disse o rapaz, num tom furioso - Como ousas questionar-me dessa maneira? A partir de agora voltas a chamar-me Senhor.

- Desculpa Senhor - pediu o coelho de modo muito temeroso.

- Ok. Podes voltar a chamar-me Alecrim.

- Alecrim..queres chocolate preto?

- Pode ser, mas tens de tirar o plástico envolvente, que eu não tenho força - disse o rapaz.

O coelhinho deu o último ovo de chocolate ao Senhor e ouviu a seguintes palavras:

- Faz uso da tua velocidade ("e do efeito da pastilha" – pensou) e corre acontar a toda gente o que aqui se passou. Quero que esta estória seja conhecida em todo o lado. Vai, corre, conta aos meus 12 amigos, á Rádio Renascença, ao jornal 24 Horas, ao elefante, á girafa, ao leão, etc... mas não deixes que o leão te mate ou coma.

Ao ouvir estas palavras, o coelhinho começou a correr para espalhar a noticia. Ao fim de alguns metros ouviu um assobio e parou. Voltou para trás para ver o que se passava com o Alecrim.

- Que foi Alecrim? - perguntou o coelhinho ao chegar perto do rapaz.

- Leva também este colar com bolinhas e uma cruz, manda fazer muitos e entrega-os ás pessoas para porem no espelho retrovisor do carro.

- Ok Alecrim.

- Não! Agora quero que me chames Bernardo.

- Ok Bernardo.

E lá foi o coelhinho a correr. Corridas umas dezenas de metros ("it's the metric system, nigga!") o celhinho voltou a parar. Tirou do bolso de trás um "Aspegic"(?) e tomou-o enquanto bebia água duma poça com animais mortos á volta. "Ei, o que não mata engorda!" - pensou. Após tomar o comprimido, viu o Bernardo a levitar, envolto em luzes de neon azuis, em direcção ao cometa Halley (que convenientemente passava ali). "Que bonito!!! - exclamou em sussurro o coelho. Virou costas e continuou a correr, mas desta vez ainda mais rápido. Em breve desapareceu no horizonte.

 

Ainda hoje, esta estória é comentada em países de povos trabalhadores com necessidade de mais um feriado religioso.

Há uma festa com o nome da aldeia do coelho, que é celebrada a um Domingo. A Sexta-Feira Santa é celebrada a uma sexta-feira (foi assim decretado para não confundir ninguém). O coelho foi molestado pelo leão, e já não são amigos. A prostituta continua em litigio com a Igreja, porque queria ser ela a dar os ovos de chocolate (e nós também queriamos que fosse ela).

 

Boa Páscoa,

 

Bri.

 

publicado por Señor B às 23:20